Opinião: O software livre explicado em miúdos
Quando se ouve falar pela primeira vez sobre software livre há duas questões que surgem: O que é o Software Livre? Já ouvi falar em OpenSource/Código Aberto/freeware/shareware, software grátis, etc. É a mesma coisa? A resposta a estas, e outras perguntas, já de seguida. Mas comecemos pela segunda pergunta.
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Software Grátis ou Freeware
Software grátis é, tal como o adjectivo indica, software que se obteve sem pagar nada. Quem não comprou já alguma revista nas bancas, quem sabe a própria Exame Informática, e descobriu que vinha com um CD ou um DVD carregado de software? Contudo este software não deixa de estar sujeito a licenças de direito de autor, e algumas delas restringem de forma bastante severa alguns dos nossos direitos de participação na sociedade digital. Estas licenças podem proibir utilização comercial, impedindo tal software de ser utilizado por empresas. Podem também proibir a distribuição de cópias, num acto moralmente perverso de generosidade apenas ao primeiro nível de partilha (um exemplo pouco conhecido é o Java da ex-SUN que, a respeitar a letra da lei, por cada instalação deveria corresponder o respectivo download), mas que nos proibia de fazer várias instalações ou de distribuir cópias.
Pergunta para os informáticos: quem nunca distribuiu cópias do JDK, às vezes até mesmo a clientes, em violação da letra da sua licença? Normalmente proíbem também o estudo e modificação do software, não apenas através de condições expressas na licença, mas também (e normalmente) pela simples estratégia de apenas distribuir um programa executável que foi compilado para código máquina ou sujeito a ofuscação do código fonte.
Shareware
Tipicamente o Shareware é freeware que eventualmente até se possa redistribuir, mas tipicamente é sujeito a apenas poder utilizado em certas condições durante um certo tempo. Muitas empresas utilizaram o WinZIP durante muito mais do que o período de graça de trinta dias de licença até que um dia o azar lhes bateu à porta... na pessoa da Polícia Judiciária ou do IGAC, eventualmente acompanhados de peritagem da ASSOFT, numa inspecção que pode levar a uma considerável e inesperada despesa, e até possivelmente incorrer em pena de prisão.
Tudo depende da licença, e da dimensão da ignorância das condições de cópia (dificilmente desculpável uma vez que o botão "I Agree" [com todas as imposições que fazem] foi premido...).
Software proprietário (ou privativo)
Inclui, normalmente, as duas classes acima descritas mas é aquele modelo mais que ultrapassado e batido de pagar por cópias, ou capacidade do processador, número de utilizadores, e outras formas de extorsão legalizada. Alguns existem apenas na cloud, somos meros utilizadores mas nunca temos acesso ao programa, não podemos estudá-lo, modificá-lo consoante as nossas necessidades ou até mesmo copiá-lo para utilização numa cloud interna de alguma empresa.
Outros pagam-se ao mês, ao ano, em contratos de três anos pagos anualmente mas findos os quais se perde o direito à utilização das cópias instaladas. Tudo formas de garantir um sustento financeiro periódico à custa da perda de alguns dos nossos direitos fundamentais para podermos participar numa sociedade digital. E que direitos são esses que vou mencionando aqui e ali?
Software Open Source / FOSS / FLOSS / Código Aberto
Antes de mais, na minha opinião todos estes termos querem dizer, na prática, virtualmente o mesmo conjunto de software que o Software Livre. Há uma ou outra excepção que são tão raras e tão pouco utilizadas que se pode claramente dizer que são as excepções que confirmam a regra. A diferença fundamental reside no ponto de vista. Enquanto que os proponentes do Software Livre se focam em direitos, liberdades que nos são fundamentais e a partir das quais ganhamos uma série de benefícios, os restantes normalmente focam-se naquilo que eu vejo como benefícios e definem assim o seu modo de pensar e actuar.
Eu distingo estes outros proponentes em duas classes principais: aqueles que não querem pensar ou falar sobre as nossas liberdades (seja lá porque motivo for), e aqueles que por e simplesmente começaram por ouvir um termo e por força da natureza do hábito. Por mim são todos bem-vindos desde que haja respeito uns pelos outros e participemos todos no desenvolvimento da nossa cultura livre .
Eu prefiro focar-me nos nossos direitos, nas liberdades que nos são devidas para uma participação na sociedade digital que não se relegue à utilização passiva, quais meros consumidores de um canal televisivo qualquer.
Software Livre
Como já, muito ao de leve, mencionei, o software está sujeito a licenças de direito de autor que estabelecem as condições de cópia, distribuição de cópias e até mesmo o modo de utilização do software.
No caso do Software Livre, não se trata certamente de uma classe de programas que se encontravam raptadas por algum grupo terrorista e que eventualmente foram libertadas, escapando a algum final menos feliz.
Esta liberdade é nossa. No próximo artigo observaremos mais em detalhe estes nossos direitos de participação na sociedade digital, mas fica aqui, para dar um gostinho, a versão curta da definição de Software Livre como consta na página daAssociação Nacional para o Software Livre tal como definida nos anos 80 pelo fundador da Free Software Foundation, Richard Stallman:
1ª liberdade:A liberdade de executar o software, para qualquer uso.
2ª liberdade:A liberdade de estudar o funcionamento de um programa e de adaptá-lo às suas necessidades.
3ª liberdade:A liberdade de redistribuir cópias.
4ª liberdade:A liberdade de melhorar o programa e de tornar as modificações públicas de modo que a comunidade inteira beneficie da melhoria.
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O mercado dos browsers está ao rubro. A Google com o seu Chrome mantêm o seu ritmo frenético de desenvolvimento e todas as semanas existem novas versões para testes. A Microsoft, depois de lançado o IE9 não parou de trabalhar no seu browser e apresentou esta semana a primeira preview do que será o IE10. Como não podia deixar de ser, a Mozilla resolveu continuar o seu trabalho e tem já disponível a primeira versão do que vai ser o Firefox 5.
Esta nova versão, que ainda está nos primeiros passos de apresentação, saiu agora na versão Aurora e é a base de trabalho para os engenheiros da Mozilla e é a versão de testes para todos os que a quiserem experimentar.
A disponibilização desta nova versão vem marcar uma alteração profunda nos ciclos de desenvolvimento que o Firefox vai ter. Passa a existir esta versão, que se coloca entre as NightlyBuilds e as versões Beta.
Numa analogia directa com um dos concorrentes directos, e que pratica uma política similar, o Firefox passa a ter disponíveis as versões Aurora, Beta e Final, que correspondem às versões Dev, Beta e Stable do Chrome. Na mesma medida, as versões Nightly correspondem às versões do Chromium.
Esta mudança vai permitir que sejam disponibilizadas versões muito mais cruas e com propensão para erros e problemas, mas os utilizadores aos escolhe-las sabem que estão sujeitos a essas situações. Outro facto que esta versão Aurora permite é o acesso mais simples dos muitos utilizadores e assim os testes são mais abertos ao público e os resultados dos mesmos são em maior número. Ficam versões testadas com um maior número de utilizadores e com maior exaustão.
Do que se pode avaliar desta versão, as alterações, a existirem são mínimas e imperceptíveis. Nota-se sim a alteração do logótipo para o novo, da versão Aurora. Na verdade, o mais provável é que esta seja apenas uma versão 4, mas com correcções mínimas. Segundo informação da Mozilla, esta versão apenas tem como novidade o aumento da performance, segurança e estabilidade.
Outro ponto forte que a Mozilla tem nestas novas versões é a simplicidade com que podemos alternar entre as versões. Basta acedermos ao About do Firefox e aí podemos alternar entre as versões disponíveis.
Esta mudança de linha e ciclos de desenvolvimento por parte da Mozilla segue o que está já a ser feito pela concorrência. Esperem por isso por novas versões com uma grande frequência.

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